Você está pronto para fazer mais com menos em 2014?

O grande desafio para os líderes dos dias de hoje é entender e reconhecer a insegurança do momento atual para que possam perceber a totalidade e o fluxo de suas organizações.

Artigo de Charles Bezerra, diretor da What If! Innovation Partners no Brasil, publicado no Portal Administradores.com.

É possível fazer mais com menos? Esta é uma pergunta que nós sempre fazemos quando nossas organizações enfrentam desafios ou quando percebemos incertezas no mercado. Inclusive, cabe muito bem neste momento, quando paramos para pensar nos desafios para este ano. No entanto, talvez essa seja a pergunta errada ou, pelo menos, uma pergunta fácil de ser respondida, pois, basicamente, todos nós sabemos que, na maioria dos casos, podemos fazer mais com menos. A ciência nos mostra que nem sempre precisamos de mais para obter mais. Como o ilustre Murray Gell-Mann explica: “este é o significado da emergência – a vida pode surgir da Física e da Química e de muitos acidentes; a mente humana pode surgir da Neurobiologia e de muitos acidentes”. A regra geral nos sistemas adaptáveis complexos é a ideia de que há mais saída do que entrada, e, na verdade, os padrões e os comportamentos complexos surgem de uma variedade de interações fundamentais e relativamente simples.

O problema é que a visão do mundo mecanicista linear amplamente aceita, que nos apresentou os conceitos de especialização e escala, não está nos ajudando a pensar dessa forma. A maioria de nós parece estar seguindo essa lógica menos efetiva – nós achamos que, para fazer mais, precisamos de mais pessoas; para fazer melhor, precisamos de mais tempo; e, para fazer mais rapidamente, precisamos de mais estresse. Infelizmente, essa lógica está fazendo com que trabalhemos cada vez mais, mas com a sensação de que estamos fazendo cada vez menos.

Nossa percepção de causalidade também é muito limitada. Geralmente, quando consideramos um problema em nossa organização, a tendência é sermos extremamente reducionistas em nossa percepção sobre as causas desse problema. Por exemplo, a primeira causa que geralmente vem à nossa mente é o processo; nós achamos que “alguém não seguiu o processo”. No entanto, se nós realmente quisermos entender de modo mais aprofundado, deveremos considerar todos os eventos vinculados ao problema, tais como a motivação da equipe, o projeto do processo, o treinamento das pessoas envolvidas, o ambiente, a tecnologia, as diferenças culturais entre outros.

Por mais difícil que pareça, uma Cultura de Inovação não é algo que possa ser totalmente prescrito, planejado ou controlado. É algo que surge de interações complexas entre muitos agentes dinâmicos, protocolos e ambientes. O grande desafio para os líderes dos dias de hoje é entender e reconhecer a insegurança do momento atual para que possam perceber a totalidade e o fluxo de suas organizações. Isso é algo que os fazendeiros parecem saber muito mais do que os executivos.

Talvez a pergunta real não seja se é possível fazer mais com menos, mas se estamos preparados para mudar completamente nosso modo de pensar, abrir mão da ilusão de controle e passar a nos concentrar nos fundamentos para assim ficarmos mais confortáveis com as incertezas e fluxo da vida. Você está pronto para fazer mais com menos?

 


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